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tatiana blass
zona morta

 

 

Em Zona Morta, Tatiana Blass ocupa uma das salas do Maria Antonia com móveis e objetos dispostos como em uma sala de estar, só que fendidos na altura do olhar do espectador. Trata-se de criar, a partir de um ato de secção, uma faixa branca de aproximadamente 50 cm em que se produz uma zona de silêncio
ou intervalo tanto entre as partes das coisas quanto no espaço expositivo como um todo. Talvez não exista
nada mais doméstico e cotidiano do que uma sala de estar. Originariamente é o local de encontro dentro da casa; onde recebemos os amigos, sentamos para ler um livro, descansamos e nos sentimos protegidos. Na sala construída pela artista, pinturas antigas, de família, convivem com o piano, a televisão, o tapete, a estante, os discos e trabalhos de sua autoria. É essa domesticidade que é ligeiramente dissolvida pela fenda, a “zona morta” que transporta esse local para o universo do imaginário. Em suas pinturas e colagens,
Blass já explorara a descontinuidade como elemento constitutivo da relação entre formas e cores. Na intervenção Atavio (2004), campos de cor se espa-lhavam pelo chão, criando uma sensação de estranheza, matizada pela maneira como pareciam brotar naturalmente das paredes, degraus e vasos.
Em cauda_cadeira (2005) o elemento desestabilizador encontra-se na junção da mancha tutti-frutti à cadeira de madeira de linhas geométricas: de repente tudo parece adquirir uma maleabilidade de desenho animado. Em Zona Morta, artifício e realidade novamente se misturam, causando aquele leve estranhamento pelo qual o espectador é lançado por um instante a esse intervalo de dúvida, de espanto, que alguns filósofos gregos tanto apreciavam como o momento que precede todo conhecimento.

Taisa Palhares

 

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zona morta (detalhe), 2007
instalação com móveis e objetos

 

 
     
 
     
 
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